

Nessa versão de Rei Arthur seus cavaleiros lutam por liberdade e percebem que seu desejo não será satisfeito por um documento e sim em suas consciências.


Nessa versão de Rei Arthur seus cavaleiros lutam por liberdade e percebem que seu desejo não será satisfeito por um documento e sim em suas consciências.


O transe dos Dervish em Istambul
E a cadeia? A sociedade alternativa dos excluídos sociais. O galpão de armazenamento humano. Não deveria ser um lugar de reabilitação? O modelo de prisão falhou. Não atende mais as necessidades da nossa sociedade. Se a proposta é só manter longe as pessoas que não se enquadram, por que não instituir a pena de morte? E o preconceito contra o cárcere, será que ele é realmente culpado do seu crime ou é só mais um “laranja”? Se esse é o caso, será que este prisioneiro não sairá de lá “pior” do que entrou? O caso do músico é muito atípico. Quando vejo qualquer forma de julgamento, lembro de "O Alienista", do Machado de Assis. No livro, um médico tem o poder de decidir quem será alienado ou não da cidade. O fim é supreendente e o livro, mais do que indicado! E para os loucos que quiserem entrar nesse mundo sem volta, o Foucault é leitura obrigatória. Começar pela "História da Loucura" facilita tudo.
Claro que estou apresentando só algumas questões. São só algumas provocações para pensarmos “fora da caixinha”, como se diz aqui no trabalho. Não estou fazendo apologia à drogas ou dizendo que devem ser usadas. Só acho que se um indivívuo não está associado ao tráfico, ou seja, quer fazer uso da erva que ele planta, por que é um crime? Isso tudo é digno de muita conversa, muita controvérsia e muitos chopps para acompanhar o raciocínio ou a falta dele.
*Rei, muito obrigada pela rica fonte de questionamentos que compatilhou comigo =)



* Haka é um tipo de dança aborígene usada pelos All Blacks, time de rugby neozelandês, para intimidar seus adversários antes de partidas importantes.

Os coqueiros do templo e a pista de motocross respectivamente
Outra, foi a vez que, ao contrário das orientações da minha mãe, fomos para a estrada que passavam carros. Como toda desobediência tem seu preço, o meu foi ficar sem freio entre um carro e uma vala. Substituir a ausência com o pé e fui salva de mergulho no esgoto e um atropelamento por algumas dezenas de centímetros. O óculos não perdoou, deixou uma cicatriz no supercílio que ainda carrego. O dono da venda não sabia se me ajudava ou ficava com medo da bronca que meu pai daria ao saber do acontecido. Na volta, a procissão carregando as bikes e os amigos lamentavam imputando a culpa em si. Não permiti, meus pais haviam ensinado sobre responsabilidade e que não deveria ouvir nada senão a voz da consciência de um adolescente: a mãe.
Com o tempo, passei a acampar sozinha. A viagem de ônibus até lá sem linha amarela já era uma aventura. Me acompanhavam um walkman, fitas k7 gravadas de rádio rebobinadas à caneta Bic e uma pequena mochila. Acabava que todos iam para minha barraca. Ficávamos bebendo e falando besteiras a noite inteira. Talvez o início da vida na chacota. Dessas pequenas alegrias me resta o Bruno como uma grande amizade.
Mudar de escola e fazer novos amigos urbanizou mais a vida social. Conheci meus meninos, os mesmos de hoje. A maioria deles tinha banda e organizávamos festinhas para que eles tivessem onde se apresentar. Chegamos a ganhar algum dinheiro com isso. Depois das noites grunges no Black Night, o MHS era o lugar que eu mais gostava que eles tocassem. Era uma casa antiga no interior de Jacarepaguá, lá pela Taquara, eu acho. Era tão longe que dizíamos que a viagem durava três dias a cavalo do próximo feudo. Tinha uma piscina na frente usada como pista de skate e o quintal gramado enorme com um palco no meio e um bar na varanda. Me sentia bem lá. O dia memorável foi quando uma das bandas de amigos conseguiu colocar fogo no amplificador.
As festas no casarão da Praça Seca também eram ótimas! A falta de luz provocava um “climão” no lugar com as velas que ficavam espalhadas. Uma gambiarra com extensão ligava os instrumentos musicais. Os cômodos tinham buracos nas paredes pichadas usados como passagem. A melhor definição é “festa estranha com gente esquisita” e eu era uma delas, feliz!
Talvez seja importante vivenciar situações díspares para conhecer a tolerância. Minha irmã diz que meus pais foram mais permissivos comigo, mas não é verdade. Não fiz um terço do que queria e se tivesse feito, talvez não tivesse sido bom para mim. Eles faziam cortes cirúrgicos entre o permitir e o negar. Vejo a angústia de algumas amigas com a dificuldade de educar seus filhos e não sei como será na minha vez. Acho que vou querer ir junto para curtir também, como convido meus pais à participar.
Toda essa diversidade gerou uma dúvida. Cresci no mato, na praia e na cidade. Todos parecem apetitosos e não sei qual destino escolher.
Ironia contra a loucura do dia a dia