segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Fotografia e Rótulos

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Há um tempo atrás, tive a oportunidade de fazer uma viagem grande. Um trabalho foi aceito num congresso na Europa e, como já tinha perdido o Latino-Americano, em Cuba, não me permiti faltar esse, mesmo indo sozinha. Quem me conhece sabe que não curto muito viagens convencionais. Além da questão de grana, prefiro viagens mais simples pra ter contato com pessoas e culturas. Talvez mochileira seja mais um dos meus rótulos.
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Um dos meus robbies preferidos é fotografia. Não tenho como investir em uma máquina maravilhosa - não tem lógica ter uma dessas e não poder usar pra não ser assaltada -, então também não invisto em cursos. Meu desafios é esse, buscar de forma amadora paisagens bonitas e aprisioná-las no papel. Até porque, minha memória é tão ruim que isso é bastante providencial (rs).
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Passei quase um mês viajando sozinha e senti muita falta (muita, muita, muita mesmo!) dos meus amigos e família. Pois é! Sou dessas, que pode estar na esquina, mas se estiver em boa companhia, estou em paz, por outro lado, não adianta estar na Europa se estiver sozinha. E quis trazer muitas recordações pra dividir com eles depois. Foi quando dei de cara com uma grande dificuldade, nenhum ajuste que eu fizesse na câmera captava a beleza que eu vivia ali. Passei alguns dias tentando e tirando muitas fotos parecidas pra tentar descobrir a melhor, e nada...
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Foi quando tive uma epifania. Nada do que eu mostrasse ou descrevesse iria fazer com que as pessoas dividissem aquilo comigo. No início, senti uma solidão infinita com essa descoberta, mas depois ela foi um tanto libertadora, pois pude perceber que não adianta tentar fazer com que as pessoas vejam as coisas da forma como você está vendo, cada um têm suas impressões, inclusive sobre você (!), e nada do que você fizer ou explicar vai mudar isso. Pode ser meio desesperadora a falta de esperança que isso pode trazer, mas, mais uma vez, vamos olhar o lado bom das coisas: já que nunca vamos ficar livres dos rótulos, o jeito é não se importar com eles e seremos mais livres sem ter que se explicar para as pessoas. Perceber que o olhar e a emoção são nossos faz com que esperemos cada vez menos das pessoas, com isso, nos decepcionamos menos e podemos nos aceitar com mais facilidade, sem limitações.
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É isso... Ouvindo More or Less do Screeming Trees

5 comentários:

Orlando Camargo disse...

Belo texto. Também curto muito fotografia e sou capaz de ficar por horas olhando pra fotos do Rio antigo, por exemplo.
Já essa solidão que você sentiu, acho que é exatamente o que me impede de me aventurar por aí sozinho...

Enfim, parabéns pelo blog ;)

Marcellinha disse...

Obrigada, Orlando!
Mesmo com a solidão vale a pena se jogar por ai, hein! É uma forma muito legal de descobrir muita coisa e conhecer muita gente.

Henrique Fenocchio disse...

Marcela, concordo que é difícil, mas creio ser possível mudar o que pensam sobre nós, é proporcional a como agimos e a como nos vemos nós mesmos. Depende obviamente do quanto queremos e do quanto o outro queira mudar, tanto isso quanto qualquer outra coisa.

umdiaeuconsigo disse...

Suas fotos ficaram maravilhosas.
Você tem muita habilidade em escolher motivos e enquadrar.
Mas não serão tão boas para outros como é pra você.
No momento em que as tirou havia um estado de espírito seu que deve ser revivido cada vez que você as revê.

umdiaeuconsigo disse...

Suas fotos ficaram maravilhosas.
Você tem muita habilidade em escolher motivos e enquadrar.
Mas não serão tão boas para outros como é pra você.
No momento em que as tirou havia um estado de espírito seu que deve ser revivido cada vez que você as revê.