sábado, 25 de fevereiro de 2012

Gaia




Saí da minha rotina ontem e acabei vendo o jornal na tv. Apesar de não trazer novidade alguma, as notícias internacionais conseguiam ser ainda mais estarrecedoras que as locais. Falaram sobre a fúria dos muçulmanos no Afeganistão pela queima do Alcorão numa base militar americana e sobre a preocupação Norte-Americana com as pesquisas em urânio, subentendendo-se avanços em energia nuclear.

Não entendo nada de química, mas entendo e tento praticar o máximo possível o respeito e não consigo ver o por quê dos EUA ainda estarem no Afeganistão e muito menos a preocupação com as pesquisas alheias. A economia deles não está decadente o suficiente para merecer esta atenção que é tão disponibilizada para a política externa não? Mas que coisa!!! A falta de respeito à soberania dos outros países me irrita.

Sei que estou querendo demais. Se o mundo é formado por nós, como crer em uma evolução se o ser humano está cada vez mais involuído? Se não respeitamos a soberania de quem divide um espaço físico com você, como garantir a de outros países? Mais uma vez, pensar no macro, me remete ao micro. É um espelho que reflete exatamente o que está a sua frente. Se não respeitamos as escolhas das pessoas mais próximas... bom, não pretendo ser redundante.

Quanto ao micro, muitas situações lamentáveis têm me feito pensar, provavelmente muito mais do que deveria. Não sou uma pessoa competitiva, nem quero ser. Não desejo gastar meu tempo olhando ao lado para saber o que está sendo feito para programar minhas atitudes. Prefiro olhar pra dentro e me adaptar ao que está a volta mantendo minha integridade.

A sabedoria de uma menina de agora 7 anos me fez pensar nisso. Ela disse que eu quero mudar o mundo, mas o mundo é que vai acabar me mudando. Respondi que era verdade e que isso provavelmente aconteceria, mas que eu resistiria o máximo que pudesse, que faria e sofreria tudo que fosse necessário para que uma gota de óleo não estrague litros de água. É uma missão árdua, meus estudos incluem essa autoanálise e autoimplicação em tempo integral e isso dói. Dói uma dor que não tem remédio, não tem cura e só o sono alivia, um sono induzido porque o natural é arrancado visceralmente. De um pólo ao outro, a sabedoria de um grande mestre também me inquieta a alma. Ele pergunta: "Qual o remédio para a traição?", sintetizando questões das quais busco uma fuga integralmente.

Sendo o mundo uma expiral, onde vamos girar incansavelmente sem nunca passar pelo mesmo ponto, claro que me vejo na mesma situação atordoante. Uma, duas, três, quatro vezes! Em nenhuma delas foi fácil. É essa a tentativa do mundo de me mudar, me tornar uma pessoa egoísta, mesquinha, frívola, fútil... Posso não ser aquilo que quero, aquilo que me disseram que deveria ser ou aquilo que seria melhor para mim, mas tenho referências negativas que me norteiam e sei perfeitamente o que não quero ser. Não quero ser esse resto. Um produto! Não quero ser desleal. Muito menos, quero um endereço sugestivo, que fale tão claramente a meu respeito.

Não excluo alguém da minha vida por nenhum outro motivo que não suas próprias atitudes. Se em um mundo de opções escolhe-se o mais tortuoso, o mais doloroso não para si, para o outro, é o oposto do que a Ética se apresenta. Palavra difícil, não? Não, atitude em desuso! Se fosse mais constante não seria tão questionada, um tabu. Ética é um bicho-papão porque não se vê, não se experimenta. Fica escondida no escuro da consciência, por isso assusta.

É nesses pensamentos angustiantes que me vem o som que ecoa por todo o labirinto negro e assustador. Se resistir nesse mundo pútrido é necessário, que seja no amor. Se amo a todos, permito que sejam livres, respeito suas soberanias e por mais que doa, prefiro sair de cena. Não quero me misturar ao que é sujo, não quero comer migalhas. Quero me alimentar em uma árvore frondosa cultivada em um bom solo e que tenha sombra. Posso ser nômade em minha busca e, se isso não existir mais, prefiro morrer de fome a comer enlatados, rotulados, sintéticos... falsos.

"Não falo do amor romântico, 
aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão,
paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
e pensam que o amor é alguma coisa
que pode ser definida,explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, 
formatado, inteiro, antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim,
que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade
potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo? 
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta?
O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
o amor será sempre o desconhecido,
a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido,
quer ser violado,
quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência. 
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor
não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa, 
como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
o amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
porque somos o alimento preferido do amor,
se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo 
e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. 
A vida só existe quando o amor a navega. 
Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita.
Ou melhor, só se Vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto".

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Foi, É e Para Sempre Será



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No mercado, outro dia, lembrei que quando bem pequena queria ser uma daquelas meninas que anda de patins para ver preços, trocar mercadorias e pegar troco para o caixa. Achava que era a melhor coisa do mundo poder me divertir andando de patins naquele chão lisinho o dia todo e viver disso.
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Quando cresci mais um pouco, mas ainda criança, queria ser arquiteta. Tinha um balde de Lego (aliás, tenho até hoje!) que montava casas em formatos diferentes. Desenhava a planta no papel antes de montar e a casa era feita aberta, com a divisão dos cômodos à vista e os móveis colocados de forma lógica. Na mesma época, lembro que adorava brincar também com o Meu Pequeno Pônei. Tinha a casinha dele, que na verdade era um estábulo, e imaginava que chovia muito e ele cedia abrigo para as Chuquinhas, bonecas que também tinha coleção. Todas tinham que caber confortavelmente naquele casebre.
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A vontade da Arquitetura durou até os 13 anos, quando acabei o fundamental e tentei a prova para Edificações no CEFET. Não passei e meu pai também conseguiu me convencer que a Informática era a profissão do futuro e que eu levava jeito pra coisa. Ele estava parcialmente certo. Tem muita gente ganhando dinheiro com Informática hoje, mas ao fazer o técnico e um ano de faculdade, vi que não levava o mínimo jeito para ficar atrás de uma mesa de 8 às 17hs de segunda a sexta e não ligava tanto para o dinheiro.
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Patins no mercado? Chuquinhas sem teto com Pônei comunista?
Projetos arquitetônicos em Lego? PC486?

Me vendo muito confusa, ele - como sempre - me ajudou comprando o Guia Abril do Estudante. Bingo! Apesar da adolescência ter nutrido minha vontade de estudar Enologia (para bom entendedor, uma gota é dose), fiquei em dúvida entre as escolhas mais óbvias para as minhas características pessoais: Serviço Social, Ciências Sociais e Psicologia.
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Já deu para notar por alguns posts que tenho problemas graves com burocracias e instituições, Serviço Social estava logicamente fora da jogada. Não consegui vizualizar naquela época uma aplicação profissional para Ciências Sociais... Foi assim que a Psicologia se tornou a ciência da minha vida.
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E é literalmente a ciência da minha vida. Isso tudo aconteceu até meus 17 anos, ou seja, há 13 vivo para a Psicologia porque, é claro (!) não tinha dinheiro para pagar a faculdade e a pública... bom, sinceramente, a pública não era uma opção tão desejada naquela época. Usei os conhecimentos em Informática para conseguir um emprego que ainda não pagava a faculdade. Lá, me ofereceram um aumento de 100% se eu me formasse Técnica em Telecomunicações. Adivinha só? Foi o segundo sacrifício que fiz pela Psicologia. Ano depois, diploma na mão e aumento no banco, comecei a tão sonhada faculdade de Psicologia.
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Meu primeiro dia de aula foi simplesmente mágico! O campus era enorme, exatamente como eu sonhava, e me perdi buscando a salinha lá no fim de tudo. Ao entrar na aula de Filosofia, interrompi o professor que, atenciosamente, me recebeu:
- Estava perdida?
- Sim, professor. Desculpe o atraso.
- Sente-se. Venha se perder conosco.
E me perdi... Entrei num mundo sem volta e me apaixonei perdidamente pelas questões do ser humano no mundo.
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Além dessa, lembro perfeitamente de tantas outras aulas que ratificaram minha escolha. Em Introdução à Psicologia, me espantei ao descobrir que as árvores não existem, mas sim, os feixes luminosos que elas refletem, ou seja, nossa percepção é que faz com que elas sejam no mundo. Em Psicanálise, me choquei com o palavreado usado na atuação perfeita da professora ao nos ensinar usando como exemplo uma mulher moderna, executiva de sucesso, com um problema ginecológico sem causa orgânica. Em Psicologia Hospitalar me gabei de terminar o semestre com média 9.5 e nos estágios, gelei no primeiro atendimento quando o paciente me pôs para fora do quarto aos gritos. Mas nada, nada foi igual à descoberta da Análise Institucional. Se me perdi no primeiro dia de aula, foi alí que me encontrei. Percebi que minha vida profissional e a forma como desenvolvi minha personalidade tinham encontrado um ponto em comum e que, mais do que me divertir andando de patins nos mercados, ou me contentando em não ter que ficar presa na frente de um computador 40hs/semana por dinheiro, eu seria feliz com mais quesionamentos que respostas, mas acima de tudo, fazendo alguma coisa de útil pela sociedade.
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Para entender melhor isso tudo, entrei de cabeça na História. Foi um ano de aulas, um grupo de estudo e muitos livros e palestras. Encontrei a convergência entre o político e o social. Me atrevi dando mais um passo à Psicologia e Análise Institucional, assisti um ano e meio de aulas como ouvinte no mestrado.
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Agora, a vida faz sentido novamente. É tudo novo de novo, como diz a música do Moska. Há um ano larguei tudo que fiz pela Psicologia para me dedicar exclusivamente à Psicologia e todas as coisas que a atravessam. Confesso que mergulhar do alto onde subi é muito assustador. Depois de conquistar tantas coisas profissionalmente, me vejo recomeçando, porém, em algo que desejei por muito tempo. Me jogo de cabeça, sabendo que a queda é alta, mas o lago é profundo. Conquistar uma vaga no Mestrado é o primeiro passo de muitos que, espero, venham ao meu caminho.
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Com todos os altos e baixos que o estudo das humanidades nos leva, já fiquei doente, fui criticada por enlouquecer de tanto estudar, chamada de comunista, sumi da vida social e de amigos, abdiquei de relacionamentos... Essa é a minha contradição, um egoísmo que prima pelo coletivo. Pois é, tenho a capacidade de criar mais perguntas do que dar respostas, mas posso garantir que essas perguntas farão algum sentido algum dia. O dia que muitas outras perguntas mais complexas ocuparem nossas mentes.
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Nesse ponto, você deve estar questionando porque está perdendo seu tempo lendo isso tudo quando nos outros blogs as pessoas descrevem tantas outras coisas mais interessantes. A pesquisa é minha atual aventura que não é mais cotidiana, não há rotina. Esse é o espaço das catarses e... ah, sei lá! Talvez só tenha querido dividir meu caminho, minhas alegrias e expectativas por um futuro que estou ansiosa por recomeçar agora. Tenho sobrinhas muito presentes na minha vida que, por alguma razão que desconheço, levam a sério as coisas que falo. Fica então o registro de como as coisas estão acontecendo comigo. Quem tiver do meu lado saberá o fim do caminho, ou o meio, espero! O fim, pretendo deixar para alguém continuar por este mundo.
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Obrigada pela paciência e o apoio!
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Tudo Novo De Novo, Moska (Vídeo legendado)
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*** Não é o fim do blog não, hein!!!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Por Quê


Já faz um tempo que venho tentando escrever, mas anda meio complicado organizar os pensamentos. Então, se as coisas não parecerem ter sentido, é porque elas realmente não têm.
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Aliás, sentido talvez seja o tema da vez. Quando crianças, insistimos com todos e tudo por um por quê. Isso pode ser bastante irritante, principalmente quando as crianças ativam o modo espírito de porco e o fazem repetidamente por pura implicância, mas é muito importante nesse momento entender algumas coisas. Depois, nosso ego nos faz acreditar que sabemos tudo e não aceitamos explicação pra mais nada. Somos senhores da razão, donos de uma verdade que, descobrimos, com o tempo e alguma dificuldade, que não existe. É nessa hora que o "por quê existencial" ataca e se torna perigoso. Se nossa visão for demasiadamente longelínea, podemos olhar tão distante que esquecemos o que está perto. Com lunetas vemos estrelas, mas tropeçamos em pedras a centímetros de distância. Ou pior, podemos trombar com pessoas próximas.
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Pode ser desesperador perder-se em si, mas o importante, creio, é, em algum lugar desse processo, perceber que temos pessoas por perto que nos dão sentido. São essas pessoas que organizam nosso caminho e é nelas que temos que nos apoiar. Não como um estorvo, como uma tábua que cai com o vento ou que não deixa a outra pessoa se mexer. Por mais que estar abraçado seja confortável e gostoso, em algum momento o corpo cansa e precisamos mudar de posição. Temos que nos apoiar andando juntos, respeitando o outro ACIMA DE TUDO. Egoísmo não tem lugar no cotidiano de quem quer o bem. Por mais que tenhamos que respeitar nossas vontades e desejos, nada justifica magoar outra pessoa para fazer o que queremos e toda ação tem uma reação. Ter consciência disso se chama responsabilidade.
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Conheci o Collective Soul nos anos 90 ainda e desde lá "The World I Know"é uma música que se destaca, mas nunca fez tanto sentido como agora. Vou colocar o clipe e a letra para ser melhor compreendida.

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Letra: http://letras.terra.com.br/collective-soul/8177/traducao.html

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=n7TLTjqUyog

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Meus objetivos pessoais tem sentido amplo. Mesmo sendo chamada de 'Xiita' desde pequena pelo próprio pai, de alguma forma, me orgulho disso (e sei que ele também). Demonstra personalidade e engajamento, mas, ao contrário do que todos possam pensar, minha luta não é política, é social e isso faz toda diferença porque me aproxima de possibilidades reais de mudança. Não sou melhor do que ninguém. O que me leva a crer que, querendo, qualquer um pode tentar.
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O mundo está aí, a globalização não trouxe os efeitos que os otimistas pensaram, mas transformou tudo num grande bloco igual. Voltamos à Pangéia! Se retornássemos à vida selvagem estaríamos extintos ou dominando? Resposta fácil, já que estamos no meio da selvageria proporcionada pela individualização e o egoísmo. O povo Celta era taxado de selvagem, mas sua violência era fruto de um ideal. Defender com paixão sua família e terra (não no sentido capital, mas de sobrevivência, origem) não me parece ato de selvageria. A invasão dessas terras e a escravidão por pura acumulação de poder, sim.
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A História nos fornece tudo que precisamos para aprender com nossos erros e melhorar as coisas, mas como anda a educação? A ignorância pode ser uma dádiva, mas só pra quem detém o conhecimento.
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Combater o mal social do egoísmo, esse é o sentido! Não é tão difícil... E desisitir de tentar pode ser o maior egoísmo de todos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ocupar é Preciso


Muito sumida, por motivos já ditos anteriormente "y otrás cositas más", mas nunca esquecendo esse espaço que tenho com tanto carinho.

Descobri esses dias que tenho um leitor fiel e que reclamou dos espaços - demadiadamente longos, assumo - entre as postagens. Então, Léo, mesmo sem ter muitas idéias organizadas para expor, esse post vai em sua homenagem, apesar de achar que com essa motivação talvez devesse escrever sobre amizade, primeiras impressões erradas ou falhas de comunicação não verbal... hehehe

Bom, tenho estudado mais do que consigo e menos do que preciso e nessas andanças bibliográficas me deparei com um valagume na escuridão do túnel social que vivemos (ou, pelo menos, do que eu vivo). No meio da podridão infindável e, infelizmente, necessária, esse vagalume se chama luta e a luz que ele emana, esperança. Tudo indica que os formatos prontos de existir que nos são vendidos - e comprados com grande prazer nesse mercado nefasto e imprenscindível que nos colocamos - vieram pra ficar e a internet tem seus dois lados. Sem deixar de considerar o lado ruim, vamos falar hoje apenas do lado bom. Prometo voltar pra falar de ambos em um só texto.

Fato é que tá rolando na Cinelândia um movimento de resistência legítimo porque ainda não foi apreendido pelas insitutições ou mídia. A proposta parece ser bem interessante, mais ainda porque não existe um objetivo claro, ou seja, é representação do mais puro devir descrito por Deleuze. Ao que parece, as pessoas se cansaram de sua posição passiva diante disso tudo e resolveram ir pra rua falar, ouvir, ocupar e ver no que vai dar. Achei esses dois arquivos importantes sobre o evento e pretendo depois passar lá pra falar com mais propriedade. Por enquanto, me proponho apenas a ajudar a reverberar esse grito tão entalado na garganta de todo mundo.

Site http://ocupario.intergalactico.org/

Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=0fKhomILE_k

A inspiração disso veio de movimentos de resistência que aconteceram em Wall Street e, por isso, a referência ao papel da internet nesse papo todo. Além, é claro, dessa divulgação que me proponho a fazer.

Depois dou mais notícias.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O Mundo e O Eu


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A vontade tardia de criar um blog veio da quantidade de pensamentos que se acumulavam com pequenas experiências que se repetiam dia a dia e ficavam ecoando sem sentido na minha cabeça. Bem, foi uma forma de organizá-las e dividi-las. Como meus dias não têm sido nada rotineiros, deu pra perceber que a frequência das atualizações diminuiram, né?

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Entretanto, um assunto tem sido mais recorrente nas conversas com uma estrela de luz que tenho conhecido e gostado cada vez mais. Com meu companheiro Psi longe, encontrei alguém da área com quem também posso fazer minhas análises comportamentais. E o tal assunto que tem se repetido é a reciprocidade e as expectativas.

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Há anos que um amigo vem me ensinando que não devemos esperar que as pessoas façam pela gente o que fazemos por elas. Sim, acho que não devemos fazer nada esperando algo em troca, mas não é a isso que me refiro. Falo de algo mais natural, tem mais a ver com memória e respeito. Sabe aquela máxima do Gentileza? Se 'gentileza gera gentileza', tem alguma coisa errada ai! Porque essa gentileza até vem, mas nunca de onde se espera. Funciona mais como uma corrente do bem. Você faz e espera que um dia no mundo uma alma que nem imaginamos que exista te ajude quando você precisa como retribuição por uma coisa que você não fez por ela, mas por ter liberado uma energia positiva, talvez.

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Fato é que as memórias estão cada vez mais curtas. Pode ser uma consequência do mundo instantâneo que vivemos hoje, mas, mesmo assim, é lamentável ver que as pessoas não só não se importam mais umas com as outras como também não se importam mais nem com quem conhecem, com quem gostam. O cuidado com o outro é coisa demodê e quem está em voga são as relações de dominação.

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E cada vez mais nos afundamos nesse lodo de solidão quando não percebemos que as necessidades dos outros são as mesmas que as nossas, os desejos são os mesmos, as carências também. Mais triste ainda é quando fazemos isso de propósito para nos afastarmos. E o fim quando machucamos quem gostamos por medo. Só que essa atitude infantil nos aproxima mais do nosso próprio sofrimento. Nosso orgulho definitivamente não nos leva a lugar algum, pelo contrário, é ele que nos paralisa em uma falsa zona de conforto da qual muitas vezes não desejamos sair por medo de nos machucarmos.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Subvertendo os Vingadores

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Aproveitando o dia do orgulho nerd, seja lá o que isso queira dizer, e o lançamento do filme do Thor vou me permitir algumas analogias. O cara era um Deus lindo, mas superbabaca que acredita que o mundo gira em torno do seu umbigo bem definido. Por isso, se acha no direito de invadir um mundo com a desculpa de proteger o seu (nesse momento começo a achar que o cara é um Deus norte-americano e não nórdico) para mostrar o quanto ele é bom. Ele vai lá, dá porrada em todo mundo, gira sua arma fálica que o faz voar, quase um pêniscóptero (!), e na hora do vamos ver, ele é salvo pelo papai. Papai fica puto, com toda razão, e manda o filhinho pra aprender na pior das escolas que existe: O mundo mortal!

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O que acontece lá? Adivinha? Uma mulher acaba ensinando pra ele alguns valores, mas, ele é "O Cara" e precisava salvar o mundo, volta e, na atitude mais idiota de todas, quebra a única ponte que poderia fazê-lo encontrar a menininha novamente. Como se não bastasse, ele promete voltar e fica lá de cima vigiando a menina, ou seja, ilude a pobre coitada e ainda a mantém presa nessa ilusão. Não é à toa que ele é o arquétipo da masculinidade na sua cultura de origem. Deveria ser em todas...

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Tem o Hulk também. Vi o filme mais antigo novamente essa semana. Logo no início do filme, a Betty fala o que já vale muito mais do que todo o drama existencial do pobre Bruce Benner:

- "Tudo bem, Bruce. Você é só mais um sub-produto da minha obsessão por homens emocionalmente distantes."

Devia ser tatuado no braço como aquelas frases "Amor de mãe", sabe?

A menininha, fragilizada em seu complexo de Electra, passa o filme todo com olhar perdidamente apaixonado enquanto o amado luta contra sua autoagressividade e, lógico (!), eles não podem ficar juntos porque suas "bolinhas verdes" não se desenvolvem tanto quanto o resto de seu corpo. Não acho que isso seja prudente. Imagine se ele tem um acesso de raiva durante a masturbação... Tenso! Como um altêntico macho-alfa, no fim, ele foge de tudo, principalmente dele mesmo, suas frustrações e vontades, deslocando essa energia para seu megalomaníaco desejo de salvar o mundo. Ah, não! Nem isso! Ele se mete no meio do mato pra achar a cura e, entre uma ervinha e outra, ele ajuda uma pessoa aqui, outra acolá.

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Já ouvi dizer que herói de verdade é o Tony Stark. Ele não esconde sua identidade. Sem a armadura é um homem comum e, por isso, um galinha. Tem dois superpoderes: a inteligência, com a qual manipula a tolinha da Pepper, e a gorda herança, que garante que ele "pegue geral". Como sabe que tem a 'pimentinha' sempre por perto, uma verdadeira companheira que o apoia incondicionalmente, usa esse sentimento para alimentar toda a megalomania do Homem de Ferro, pois sabe que fez besteira no passado e tenta aliviar sua culpa usando como desculpa salvar o mundo e deixa dúvidas se a armadura não é mais uma auto-afirmação.

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O interessante é pensar, como publicou a revista "Info" deste mês, a popularização da cultura nerd. Ser inteligente agora é 'cool'! O sucesso da série "The Big Ben Theory" no Brasil talvez seja mais um indício disso. Todos os filmes da Marvel que estão saindo levam as pessoas ao cinema e nas filas, além de algumas perguntas básicas, você pode presenciar o que vi essa semana. Um senhor conversava com um amigo e dizia que não sabia do que se tratava o filme, mas que ele estava superbadalado. Nossa, como eu lamentei ouvir isso!!! Como costumo dizer, vivo em um limbo cultural, não sou 'in' o suficiente para ser considerada nerd ou tão 'out' para ser normal, mas consigo manter um diálogo saudável com os amigos que fazem parte desse supervalorizado clubinho cult.

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O que mais me irrita é pensar no produto do cruzamento desse enaltecimento dos nerds e a superpopulação feminina - no Rio de Janeiro, pelo menos. Você anda pelas ruas e vê um casal de "periguete" e um carinha de óculos e camisa do Lanterna Verde! A fragilidade egóica do nerd, que o faz mergulhar no mundo imaginário dos quadrinhos, é exatamente o que atrai esse tipo de menina. É muito mais fácil manipular um cara assim pra manter uma relação de poder baseada em relacionamentos estereotipados hegemonicamente. Sempre falei sobre isso com um amigo, mas associando a cultura grunge, se é que se pode chamar de cultura sem aprisionar o movimento. Ser "Eddievedderiano" é ter seu complexo de inferioridade compensatório expresso publicamente quando, na verdade, seu ego é do tamanho do mundo imaginário que ele mergulhou a vida inteira.

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E ai, o que fazem as Janes, Bettys e Peppers? Deixam sua personalidade de lado e tornam-se manipuladoras pra participar da briga ou honram a identidade mantendo alguma integridade?

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quarta-feira, 16 de março de 2011

Falso

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O Moska é um dos pouquíssimos artistas nacionais da atualidade que eu realmente respeito. Dono de inteligência e articulação ímpares, não se preocupa em fazer filosofias vans, mas expressa em sua obra toda a complexidade e dicotomia do ser humano. Talvez por isso me identifique tanto a ponto de recorrer ao seu trabalho para me expressar nas horas mais... turbulentas, eu diria.
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Essa música é do álbum "Eu Falso da Minha Vida O Que Eu Quiser", um deleite para os ouvidos, mente e coração.
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Meu Pensamento Não Quer Pensar
(Moska)
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Meu pensamento não quer pensar
Ele está com preguiça de se levantar
Depois de um sono tão profundo
É duro acordar e ver que no mundo
Tudo é novidade, mas eu já conheço
Então volto a dormir que é pra ver
Se me esqueço
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Que meu pensamento não quer pensar
E para aprender eu vou ter que apanhar
Pois só assim que o ser humano evolui
Só assim serei o que nunca fui
Tudo é tão velho e eu ainda nem nasci
O tempo nunca passou e eu nem percebi
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Que o meu pensamento não vai pensar
Enquanto eu não fizer seu coração vomitar
Toda consiciência que não o deixa em paz
Com os mesmos padrões de séculos atrás
Com as mesmas paixões por coisas
Absolutamente banais.
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