segunda-feira, 8 de março de 2010

Coisas Belas e Bizarras



Acordei atrasada. O relógio não despertou, nem eu. Como sempre, ninguém para substituí-lo. Não dava mais tempo de pegar o ônibus, troquei pelo carro. Fui à reunião, trabalhei. Conversei sobre vários assuntos. Andei sozinha de calça e camiseta pelo Centro carregando um livro subversivo e ouvindo rock no fone. Almocei em uma daquelas mesas coletivas repletas de homens. Jantei com uma amiga. Peguei o carro, passei no mercado, cheguei em casa. Tomei banho e deitei para estudar até dormir.

Não há nada de estranho, certo? Se voltarmos no tempo é possível perceber que as coisas mais simples da nossa rotina são fruto de grandes conquistas. Uma mulher de vinte e oito anos solteira era uma aberração em outros períodos da vida em sociedade, assim como dirigir ou trabalhar. Andar sozinha pelas ruas era uma afronta aos valores familiares, andar de calças e com os braços desnudos também. Livros subversivos? Comunista! Rock’n’roll só depois dos anos 60. Adentrar um recinto predominantemente masculino não é atitude de uma dama, que também não deve conversar sobre certos assuntos. A mulher deve ser prendada, estudar música, artes, crochê... Seu futuro é o casamento e deve estar à disposição do marido.

Recebemos hoje os parabéns pelo Dia Internacional da Mulher e ficamos realmente lisonjeadas. Digo que não há nada mais comovente que o olhar de um homem apaixonado, é realmente tocante vê-los atidos aos encantos femininos. Porém, acredito que é válido usar ao menos esse dia para uma reflexão sobre as conquistas e valorizá-las. Temos direitos civis iguais aos dos homens. Devemos lutar pelos direitos sociais, mas respeitando as diferenças (deveríamos respeitar as diferenças entre todos os seres vivos, mas...). Entender os subterfúgios do preconceito sem se igualar aos ofensores. Vencer a opressão contendo os opressores. Queimamos sutiã buscando liberdade e não nos deixemos subjugar aos silicones!
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Parabéns para quem não se conforma, para quem argumenta, quem respeita! Seja qual for o gênero, etnia, crença, idade, formação...
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*** Esse é seu, Rico! Obrigada por lembrar ***

4 comentários:

Leo Mattos disse...

Bom, é isso mesmo Marcellinha, sou eu mesmo, isso não é uma piração sua!!!
Em primeiro lugar gostaria de parabenizar as mulheres que sabem colher os frutos plantados num passado, não muito distante, e utlizam a sua liberdade de maneira Sábia, proveitosa e inteligente. Sem nenhum "puxassaquismo" vc é uma dessas mulheres...
Triste é ver mulheres na midia jogando na lama anos de batalha por direitos e oportunidades, que até hoje, não são as mesmas dos homens, e utilizam sua liberdadepara para exibir a bunda.
Em segundo lugar reavalie o seu penultimo post, Ser mulher é isso mesmo. Paciencia!...(rs)

Rico disse...

“Como sempre, consegue alcançar a perfeição em suas palavras!
Vc merece todo o meu carinho, respeito e admiração.
Seu BLOG é 10!!!!”
Rico.

Ronni Oliveira disse...

É Marcellinha, essa mulher que você mencionou que é cheia de travas nãi combina nada contigo. Acbo que se você vivesse naquela época seria caçada rs.
Tu é foda mulher, parabéns atrasado, e dia da mulher é todo dia, mesmo que essa frase seja utilizada por todo mundo.

Bjão e te amo!

dayvid disse...

Parabéns, Marcellinha, esse texto ficou um primor. Tem qualidade o bastante para que você o assinasse em uma revista de grande circulação.
Está se mostrando uma escritora e tanto! Taí mais um motivo para te admirar.